Apresentação: Casa de Orunmila Ifa Awo
Bem-vindos ao site da Casa “Cultura de Orunmila Ifa Awo”. Nossa prática filosófica religiosa é de caráter diferenciado, adaptado para a cultura brasileira e nossas raízes espirituais.
Primeiramente, deixo aqui os meus agradecimentos a todos aqueles que me proporcionaram as condições de ser e estar como sacerdote de Ifa, Babalawo Ifayoju. São eles, meu irmão de religião: Thiago, Babalawo Otura Adakoy, para quem não tenho condições de expressar palavras de elogios em razão da magnitude do seu significado para mim.
Bem como, André Neri, Babalawo Oyekun Nilogbe, que muito contribuiu e orientou para os conhecimentos iniciáticos e da direção sacerdotal; Luiz Henrique, Babalawo Ofun Tempola, que muito me ajudou nos momentos da dificuldade de formação; Mussa, Babalawo Ogbe Sa, que me auxiliou nos momentos para a perseverança necessária. Assim como aos demais irmãos do grupo o qual participei em minha caminhada inicial em Ifa: Ojugbona Claudio, Babalawo Ogbe Bara, que me introduziu no Igbodu Ifa e me defendeu na saída ritualística; aos Babalawos irmãos Rafinha e Vinícius.
E também aos Babalawos afilhados: Edmilson, Fabrício, Sandro, Ivan, Romariz , Ricardo, Fábio e Pedro. E não posso deixar de mencionar meus queridos filhos: Balalawos Wladimir Neto e Vinícius.
Deixo também um reservado espaço para expressar meu reconhecimento e gratidão para as apetebis Iyafa Argenora, Dominnique, Verônica. E, em especial demonstração de carinho para a minha esposa Rosangela, também Iyafa. Todas labutaram com denodo para a criação do que somos hoje como sociedade espiritual. Estendo ainda meus sentimentos de agradecimentos aos demais awofakans e apetebis afilhados que muito contribuíram para esta existência coletiva.
Os esclarecimentos iniciais são pertinentes a quem somos como sociedade praticante de Ifa e propósitos. Dito isso, podemos prosseguir para as demais explanações acerca dos valores e propósitos da nossa Casa.
Somos da raiz de Ifa da cultura da diáspora, Escola de Ifa Cubana.
Escola esta que muito nos proporciona orgulho em pertencer e praticar. É importante entender que respeitamos outras vertentes, mas baseamos nossas crenças e filosofias espirituais religiosas no Ifa de Cuba. Esta, com certa adaptação para as nossas crenças das raízes da sociedade brasileira.
Percebemos Ifa como uma religião universal.
A filosofia religiosa de Orunmila-Ifa pode ser aplicada em diversas outras variadas vertentes religiosas. Isto é, sem ser conflitante para aqueles que não forem radicais em suas aceitações e não vivam as discriminações das estritas especificidades religiosas.
Temos em conta que não devemos modificar ou alterar doutrinas e fundamentos, nem criar o que já existe. Mas podemos adequar e flexibilizar intransigências dentro da dinâmica dos valores, conceitos, juízos e entendimentos de Ifa. As adaptações podem ser constantes, e esse é o dinamismo da vida.
Lavoisier criou o conceito da “lei da conservação de massas” e expressou “que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Tomando por base esse conceito, podemos aplicá-lo também na escala da religiosidade de Ifa. De forma que, podemos transformar as nossas aceitações “das massas dos nossos conhecimentos”, e dar vazão às aplicabilidades da sabedoria de Ifa. Sendo isso, em diversos setores de atividades das nossas vidas, tanto no âmbito pessoal, quanto no familiar, social, político, afetivo, psicológico, filosófico, religioso…
Enfim, para todos e tudo, ajustando conforme as necessidades dos nossos atuais momentos e circunstâncias para a evolução dentro do contexto do individual e coletivo.
Penso que engessar Ifa nos propósitos tradicionais fixos e não na dinâmica da evolução dos tempos e das realidades atuais é limitar o conceito atemporal e transcendental de Orunmila.
Entendendo dessa forma, dentro da sociedade constituída na nossa Casa, unimos os valores doutrinários de Ifa aplicando-os em uma prática aberta. Juntamos as informações, entendimentos e aceitações necessárias para abarcar e abraçar pessoas de outras vertentes religiosas. Ao menos as que se propõem conhecer Ifa, seus aconselhamentos e revelações para o autoconhecimento.
Muito simples, mas controverso para aqueles que não frequentam e não nos conhecem ou não aceitam essa forma de realizar a religiosidade de Ifa. Visto que, dentro do nosso formato de professar e processar realizamos um culto de Orunmila bem prático e de grande satisfação.
Nós, Babalawos da casa, somos sacerdotes de Ifa praticantes, e acompanhamos e orientamos aos iniciados, e não iniciados também, quando procurados por eles, sempre através dos oráculos pertinentes a Orunmila com os valores mitológicos, ritualísticos e doutrinários do nosso culto de IFA.
Não somos donos da verdade, melhores ou piores do que ninguém ou de outras sociedades espirituais religiosas existentes, apenas diferentes nas aceitações e práticas.
É importante entender que não criamos ou inventamos uma religião nova, com doutrinas novas. Nós apenas adequamos uma prática dentro e para a coletividade que formamos e vivemos cultural e socialmente. Nada foi alterado da sua origem e raiz, somente efetuamos adaptações para as nossas formas de perceber e pensar religião.
Operamos com a ancestralidade de Ifa realizando nossas ritualísticas de cunho yoruba cultuando atividades com eguns ancestrais dentro do âmbito litúrgico dos assentos ojugbos com os fundamentos de Ifa. Temos limites quanto a isso, pois não existem ojés de culto egungun em nossa casa.
Todavia, por estarmos nascidos em terras brasileiras, entendemos que existe uma ancestralidade do solo da nação que precisa ser também preservada e aceita quando se manifestam através de outros segmentos de práticas religiosas.
E dentro dos princípios universais de Ifa, contando com a flexibilidade da dinâmica de adequação e adaptação de Ifa, respeitamos e admitimos esses cultos pertinentes.
Embora não como um culto de egun ancestral yoruba, pois isso efetivamente não é. Mas sim dentro do princípio de uma ancestralidade tipicamente brasileira de eguns, que no nosso solo de nação viveram e existem como orientadores em outras práticas espirituais, vindos da tradição dos índios antepassados da nossa terra brasileira.
Conforme a enciclopédia universal da liturgia dos odus Ifa, temos no odu Ogbe-Di o itan (caminho, história) sobre as escolhas do espírito antes do encarne para a definição de um destino a ser cumprido no Aiye (mundo do plano material). Visando este, o exercício de impender uma missão de resgates cármicos ancestrais, individuais e coletivos.
Dentro de um entendimento pessoal, e não me coloco como dono da verdade, mas, com o direito de poder pensar de forma a seguir exposta. Compreendo, a partir disso, que tendo o meu e outros espíritos as escolhas de encarnarem no Brasil, podemos utilizar e praticar Ifa no Brasil segundo os recursos das nossas raízes religiosas brasileiras.
Temos em Ifa uma atividade religiosa que pode ter aplicada a sua filosofia espiritual em todos os segmentos de religião, salvaguardados e preservados os fundamentos das suas origens.
Assim como existem cultos religiosos no Brasil que não são da ancestralidade de Ifa mas podem estar perfeitamente enquadrados no contexto da sua abrangência doutrinária. Também assim, existe o culto da prática egungun que não é a da ancestralidade do Brasil, e isso não leva remeter ao entendimento de que não possam fazer parte do contexto da cultura social nacional de mescladas etnias.
A Escola Cubana de Ifa foi originada e adaptada do africanismo para a cultura ocidental através da diáspora. E assim, ela foi sendo aplicada dentro das possibilidades e adequações para os fins religiosos da ilha colonizada. Dessa forma, pôde se desenvolver e se expandir culturalmente e religiosamente para outras localidades de nações, inclusive, utilizando o sincretismo católico.
Podemos entender, com isso, a dinâmica universalista de Ifa como sendo aberta para ser processada religiosamente conforme as necessidades e aceitações de povos culturalmente distintos.
Sem entrar no âmbito dos conceitos do Ifa nigeriano — pois essa não é a minha escola, e sim a cubana e, portanto, me reservo a não discorrer sobre liturgias e processos dos quais não pertenço por iniciação de vertente sacerdotal —, temos o embasamento para as atividades da nossa casa nos conteúdos dos odus de Ifa.
Conforme exemplificado em Odus, na sequência comentada, o ponto de vista do que praticamos nos oferece a oportunidade de juntarmos valores de Ifa aos cultos distintos existentes no Brasil:
1 – Ojuani Tanshela: nasce o “espiritismo científico”, ou seja, podemos entender que as doutrinas do Kardecismo e da Umbanda podem ser estudadas, praticadas e aceitas por Ifa;
2 – Ojuani Hermoso: nasce o manifestar e trabalhar com eguns incorporados para consultas (que pode ser feito por iniciados em Ifa, exceto Babalawos, pois os sacerdotes de Ifa não incorporam);
3 – Ojuani Obara: disse Ifa nesse odu que se o Babalawo possui “prenda” (assentamento de energia que não é de culto ancestral coletivo de egun de Ifa, e sim de outra prática espiritual cubana, chamada de Pallo Mayombe), ele tem que atender a essa “prenda” e pode trabalhar com essa espiritualidade para ele e para outros. Pode também montar outras “prendas” para terceiros e ter afilhados de Ifa e de “prenda”.
Outros odus também discorrem sobre práticas religiosas diferentes das de Ifa. Como por exemplos, o odu Oyekun Meyi, onde Ifa desenvolve fala sobre Jewesun (Jesus Cristo). O odu Otura She expressa que a pessoa precisa ter um Buda dentro de si (reconhecimento da existência da arte da meditação oriental passada pelo budismo).
E assim por diante, em variados caminhos de odus, é demonstrado que Ifa é universalista em sua prática, abrangência e aceitações.
Portanto, praticar Ifa com seus fundamentos juntos com outros preceitos é perfeitamente cabível. Principalmente perante a magnitude de Orunmila, orisha maior testemunho e conhecedor dos destinos de toda humanidade.
Cultuamos orishas conforme os conceitos, preceitos e fundamentos de Ifa. E respeitamos muito as formas de outras vertentes, como a dos processos do Candomblé, por exemplo, culto do nosso profundo carinho.
Não queremos polemizar, apenas, trabalhar a nossa cultura e crença com ética, dedicação, denodo e com a fé racional pensada e entendida, passando os devidos conhecimentos e esclarecimentos para que os que frequentam possam saber viver as suas essências sem a ignorância das imposições dogmáticas não explicadas. Em detrimento dos que visam apenas as simples aceitações para as dominações intencionais de terceiros, sem as necessárias entregas das compreensões da religião em que se colocam.
Temos por valor e propósito fazer com que as pessoas conheçam e entendam sobre o que praticam em suas atividades religiosas e vivenciem uma fé racional, e não cega.
Essa fé irracional, geralmente motivada pelo extremo da entrega, seja em razão das necessidades ou pela vaidade de se querer conhecer secretos religiosos. E pode levar a uma condução desequilibrada de vida motivada por intenções fraudulentas e enganosas por terceiros de condutas de liderança duvidosas. Estes, com suas dominações de supostos conhecimentos, nada acrescentam em nível de sabedoria ou direção de vida para os necessitados que buscam, sob a luz da religião, os seus equilíbrios materiais, mentais e espirituais.
Não temos por intenção criar simples assistentes de ilusórios espetáculos conduzidos pelo sentido da dominação maliciosa. Mas sim de passar o curso da direção para a independência do ser, para ele que possa entender a sua real missão de destino sabendo viver bem a sua própria existência de essência, revelada por Ifa.
Está, então, apresentada a nossa Casa, a nossa forma, propósito e filosofia espiritual religiosa.
Na Casa “Cultura de Orunmila Ifa Awo” operamos com os seguintes processos:
consultas oraculares através de opele ou ikin opon Ifa (tabuleiro), atividades de manipulações energéticas marcadas pelos oráculos e iniciações em Ifa de primeira mão para awofakan e ikofa fun (homens e mulheres, respectivamente). Nesse processo iniciático são revelados os odus das existências e das essências dos encarnes, assim como os pertinentes orishas de ori. São também realizados assentamentos de orishas pelo processo de Ifa, conforme indicado pelo oráculo. E por fim, feituras sacerdotais para o exercício como Babalawos.
Todos respaldados com a precisão oracular, que é fundamentada pelos 256 odus de Orunmila.
Assim pensamos, assim construímos e assim trabalhamos o espiritual. Para aqueles que aceitam, os meus agradecimentos e cumprimentos.
Iboru Iboya Iboshishe.
Wladimir Bittencourt
Babalawo de Orunmila Otura Tiyu


Belo texto e esclarecedor. Parabéns!!!
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Ouvi falar de Ifá e queria entender do que se tratava, encontrar essa página foi esclarecedor!
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